Histórico

O encontro CORPOCIDADE 4 – Experiências de Apreensão da Cidade marca o encerramento da pesquisa Experiências metodológicas para compreensão da complexidade da cidade contemporânea [PRONEM – FAPESB/CNPq], desenvolvida pelo grupo Laboratório Urbano (PPGAU/FA-UFBA) ao longo dos últimos 3 anos.

A pesquisa Experiências metodológicas para compreensão da complexidade da cidade contemporânea, investigou metodologias de apreensão da complexidade das cidades no atual contexto de espetacularização urbana, buscando articular 3 linhas de abordagem que costumam ser tratadas separadamente: historiografia, apreensão crítica e experiência estética-corporal. Tomando a noção de experiência como princípio norteador desta investigação metodológica, pretendeu-se focalizar as práticas de Trabalho de Campo expandindo seu significado e alcance numa concepção de processo de cartografia sensorial, como possibilidade crítica propositiva, em que  o processo de apreensão do objeto (neste caso, as cidades contemporâneas) pelo sujeito, é instaurado por uma dinâmica relacional corporal.

Esta pesquisa buscou aprofundar a discussão e prática da apreensão das cidades no campo do urbanismo, articulando outros campos de conhecimentos como a filosofia, a psicologia, antropologia, as artes e o próprio urbanismo, de modo a contribuir para a construção de uma compreensão da condição processual e micropolítica das conformações da vida urbana. Para isso, de um lado, questionou-se os pressupostos da representação e atentou-se para o sentido de produção e criação subjacente ao exercício da apreensão urbana conduzido pela atitude investigativa do sujeito-pesquisador coimplicado no campo de forças que pretende explorar, transitar, atuar, constituir; e, de outro, adotou-se a noção de corpografia urbana, segundo a qual, a cidade é percebida pelo corpo como campo de processos interativos, cuja dinâmica tanto os configura quanto é por ambos configurada.

A Plataforma CORPOCIDADE reúne um conjunto de ações, entre elas os encontros, cujo foco é subsidiar o debate em torno do tema da pacificação da experiência pública das cidades contemporâneas decorrente do crescente processo de espetacularização (das cidades, das artes e do corpo) exacerbado nas últimas décadas, buscando testar outras articulações entre corpo e cidade como estratégia de redesenho de suas condições participativas no processo de formulação da vida pública em que estão implicados, tomando a arte e a experiência corporal como potências questionadoras de consensos forjados e fatores de explicitação dos conflitos que o espetáculo busca ofuscar. A Plataforma propõe articular arte e urbanismo como um processo de construção de uma zona de transitividade baseada na cooperação entre as proposições de cada área, em busca de conexões que mobilizem experiências reorganizativas de seus respectivos regimes de funcionamento e partilhas do sensível, de modo que favoreçam a produção de novas coerências.

Na 1ª edição [2008],  o encontro CORPOCIDADE testou um formato híbrido entre acadêmico e artístico, que admitia inscrições de propostas teóricas de comunicações e de propostas artísticas de intervenção urbana, cuja seleção ficou a cargo do Comitê Científico Artístico formado por professores e artistas, também responsáveis pela coordenação dos debates de cada Sessão Temática durante o encontro. Desse modo, além de concretizarmos a desejada articulação entre teoria e arte, também estendemos desdobramentos do evento para a própria cidade, onde foram realizadas as 16 intervenções urbanas, no âmbito do evento 10 DIAS de cidade e cultura  (FUNCEB), cujo calendário incorporou o CORPOCIDADE.

Na 2ª edição [2010], optamos por uma dinâmica de debate sobre “conflito e dissenso no espaço público” que incluísse o processo de construção da própria matéria a ser debatida, a partir de experiências coletivas mobilizadas pelos contextos da Maré (RJ) e de Alagados (Salvador). Neste formato, o debate final foi a instância pública da experiência que o gestou e cada experiência foi antecedida pela apresentação cênica das obras coreográficas Pororoca, da coreógrafa Lia Rodrigues (RJ) e SIM – ações integradas de consentimento para ocupação e resistência do coreógrafo Alejandro Ahmed e Grupo Cena 11, cujas propostas estéticas já tematizavam as questões de conflito e negociação no espaço e que atuaram como provocações e ponto de ignição dos trabalhos do grupo.

A 3a edição [2012], em articulação ao 3º Seminário Cidade & Cultura (Pró-Cultura – CAPES/MinC) e ao início da pesquisa Experiências metodológicas para compreensão da complexidade da cidade contemporânea, enfocou as possibilidades de apreensão corporal da cidade e seus modos de compartilhamento e transmissão, tensionando as noções de corpo, cidade e cultura a partir da noção de experiência. Para cumprir o propósito de abordagem da experiência urbana pelo seu duplo caráter de prática de mapeamento corporal e narrativa cartográfica, o encontro integrou 3 atividades diferentes e complementares: OFICINAS – experiências metodológicas em áreas específicas da cidade de Salvador, destinadas a testar procedimentos para apreensão da cidade contemporânea; seminário de articulação – apresentação das experiências metodológicas destinada ao exercício de reflexão crítica sobre as oficinas realizadas; e seminário público– atividade aberta à participação de todos que reuniu pesquisadores de diferentes áreas.

A revista REDOBRA é parte integrante da plataforma de ações CORPOCIDADE e visa fomentar debates sobre os temas dos encontros desde 2008 (versão eletrônica). A partir de 2012 a revista passou a ser uma publicação impressa (semestral e gratuita) da pesquisa “Experiências metodológicas para a compreensão da complexidade da cidade contemporânea”. Para fazer esse acompanhamento da pesquisa, os diferentes números da revista alternam um duplo movimento de introdução articuladora das questões discutidas e compartilhamento das narrativas críticas das ações realizadas nas atividades da pesquisa, sempre com uma preocupação de fundo quanto ao léxico associado ao tema estudado com a participação de pesquisadores de diferentes campos como : arquitetura, urbanismo, dança, artes do corpo, artes visuais, antropologia, história, sociologia e psicologia. A revista pode ser vista como um repositório de ideias, experiências e narrativas tanto dos encontros quanto das atividades da pesquisa que constroem uma base teórica e metodológica que deve permitir uma efetiva intelocução nos seminários e demais debates presenciais.

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